Dia 28 de janeiro de 2016, uma quinta feira, fui para Berlim, de Budapeste.
Conheci a capital alemã e tive uma experiência com trem noturno (com cama).
Minha viagem começa às 20:00, na estação ferroviária de Keleti, em Budapeste. Era a minha viagem de trem mais longa até então e optei por viajar de noite pois chegaria cedo da manhã no destino e, logo, economizaria com hostel.
Início de viagem: trem noturno
 |
| Camas no trem |
Fui em um trem possivelmente checo que cortou Eslováquia, Chéquia e entrou na Alemanha por Dresden. O vagão era exclusivo para quem comprou com cama, e, na hora da compra, você pode optar por ficar em locais com 4 ou 6 camas, dividindo o espaço com mais pessoas. Optei pela opção de 6 camas, pois sairia mais barato. Nesses casos sua passagem diz exatamente qual vagão e assento (cama) você ficará.
Quando o trem partiu, um responsável pelo vagão recolheu o passaporte de todas as pessoas. Depois entendi que, na hora cruzar a fronteira da Alemanha, a polícia migratória alemã verifica os passaportes, mesmo estando na área Schengen (acredito que essa medida foi tomada depois do início da crise migratória que começou em 2015).
Durante o caminho algumas pessoas foram descendo. O interessante é que o responsável pelo vagão acorda as pessoas um pouco antes do destino e cada passageiro ganha um café, um croissant e água.
Sobre minha experiência de dormir em um trem noturno com cama: Foi uma boa noite e confortável o suficiente para não doer nenhum músculo. Foi muito melhor que qualquer outra viagem de 11 horas tentando dormir sentado. Cheguei em Berlim inteiro e com disposição. Recomendo muito para quem vai fazer longas viagens noturnas e não quer perder tempo com indisposição e sono.
 |
| Berlin Hauptbahnhof |
Ao chegar em Berlim fiquei maravilhado pela estação ferroviária (Berlin Hauptbahnhof). Um grande complexo com linhas ferroviárias em 3 andares, contando trens municipais. E, como sempre eu faço quando chego em novos países, fui comprar um chip (SIM card) para meu celular e poder ter internet móvel.
Normalmente a segunda coisa que eu faço ao chegar em uma nova cidade é comprar passagens para os transportes públicos, e em Berlim não foi diferente. Lá eu comprei o Berlin Welcome Card, que além de te dar acesso aos transportes públicos da cidade, você também tem descontos em diversas atrações, restaurantes, bares, etc. Vale muito a pena comprar esse card caso você seja turista.
 |
| Portão de Brandemburgo |
Com meu kit inicial comprado, me dirigi ao Portão de Brandemburgo. Peguei a linha de metrô U55 em direção à estação Brandenburger Tor. Essa estação já é uma atração, com a história do Portão de Brandemburgo em suas paredes.
Ao sair da estação de metrô você já dá de cara com aquela construção linda, e, sinceramente, me arrepiei. O Brandenburger Tor (em alemão), é uma antiga porta da cidade, reconstruída no final do século XVIII como um arco do triunfo neoclássico, e hoje um dos marcos mais conhecidos da Alemanha. Foi encomendada pelo rei Frederico Guilherme II da Prússia como um sinal de guerra e construída por Carl Gotthard Langhans entre 1788 e 1791. Durante a partição da Alemanha no pós-guerra, o Portão estava isolado e inacessível imediatamente ao lado do Muro de Berlim, e a área ao redor do Portão se destacou mais proeminente na cobertura da mídia sobre a abertura do muro em 1989.
Ali perto está o famoso museu de cera Madame Tussauds.
 |
| Reichstag |
A partir dali me dirigi ao Palácio do Reichstag, cruzando por parte do Großer Tiergarten. Reichstag é o nome do prédio onde o parlamento federal da Alemanha (Bundestag) exerce suas funções. Foi palco de vários momentos históricos durante o século XX como seu polêmico incêndio em 1933.
 |
| Memorial de Guerra Soviético |
Após ter tirado algumas fotos, cruzei novamente o parque Großer Tiergarten e fui ver o Memorial de Guerra Soviético. É um memorial bonito, que lembra o de Viena, com réplicas de tanques e artilharia. Após o fim da Segunda Guerra Mundial o comando do Exército Vermelho erigiu três monumentos soviéticos em Berlim, a fim de lembrar principalmente os vinte mil soldados soviéticos mortos durante a campanha de ocupação da capital alemã.
 |
| Memorial aos Judeus Mortos da Europa |
Ali perto está o Memorial aos Judeus Mortos da Europa. Possivelmente você já viu esse memorial. É uma área aberta com vários blocos cinzas de diferentes tamanhos. Caminhei por entre os blocos e não gera uma sensação boa. O triste é ver jovens se “divertindo”, tirando fotos engraçadas de um memorial que deveria haver respeito.
 |
| Pedaço do muro na Postdamer Platz |
Continuei meu turismo até a Postdamer Platz. Apesar de já ter visto nas ruas o trajeto do Muro de Berlim, foi só da Postdamer que pude ver parte real do muro. Pude tirar umas fotos e tocar no muro. Muito interessante interagir com coisas que você só via nos livros de história.
Como já se aproximava do meio dia, fui até o Mall of Berlin que fica ali perto e pude almoçar no McDonald’s e descansar um pouco.
Terminado o almoço, fui até o Memorial do Muro de Berlim, onde também está localizado o memorial Topografia do Terror. Ali era o local onde, durante o regime nazista, ficava a sede da Polícia Secreta (conhecida como Gestapo) incluindo celas, da SS (Schutzstaffel em alemão ou “Tropa de Proteção”, uma unidade paramilitar dos nazistas que tinha um poder absurdo e que foi responsável por muitas das atrocidades cometidas durante o regime) e das demais instituições que faziam parte do aparato de terror dos nazistas. Neste local foram planejados e gerenciados os crimes cometidos pelos nazistas. Para saber mais acesse o link http://simplesmenteberlim.com/topographie-des-terrors-topografia-do-terror/.
 |
| Marcado no chão onde passava o muro |
 |
| Checkpoint Charlie |
A 400 metros dali está o Checkpoint Charlie, um posto militar entre a Alemanha Ocidental e a Alemanha Oriental durante a Guerra Fria. Você pode carimbar o passaporte ali se desejar, mas não sabia dessa informação quando visitei. Nos arredores você encontra alguns museus de história como o museu dedicado ao Muro de Berlim e o museu do próprio Checkpoint Charlie.
A partir dali resolvi ir até o hostel que me hospedaria. Fiz o check in, deixei minha mochila e peguei alguns cartões de descontos de alguns museus que eles davam no hostel.
 |
| Bebelplatz |
Porém não esquentei banco e continuei meu turismo. Peguei o metrô linha U6 na estação Kochstraße (perto do Checkpoint Charlie) e desci Französische Straße, estava indo em direção à Bebelplatz. Essa praça fica entre a Ópera Estatal de Berlim e a Faculdade de Direito, e foi ali que Hitler queimou livros em maio de 1933.
 |
| Berliner Dom |
Não longe dali está a ilha dos museus, e foi para lá que eu fui, mesmo não tendo visitado nenhum dos museus localizados ali no meu primeiro dia em Berlim.
Nessa ilha pluvial também está localizado o Berliner Dom, ou, em português, a Catedral de Berlim. É uma catedral protestante luterana que foi construída entre 1895 e 1905. É vizinha do Lustgarten e do Berliner Stadtschloss (sede do governo municipal de Berlim).
 |
| Obelisco da Vitória |
Dali eu peguei um ônibus linha 100 (parada fica praticamente ao lado da catedral) e parti rumo ao Siegessäule, ou Obelisco da Vitória. Uma bela coluna concluída em 1873 para comemorar as vitórias militares da Prússia sobre a Áustria, Dinamarca e França entre 1864 e 1871. Você pode também ver outros monumentos e estátuas ao redor da rotatória onde o obelisco está. Em seu interior há um museu com miniaturas de vários monumentos de outro países. Nas paredes do monumento é possível visualizar vários buracos causados por projéteis disparados durante a Segunda Guerra Mundial.
Após tirar algumas fotos e caminhar ao redor, peguei novamente a linha 100 de ônibus e fui até Kaiser Wilhelm Gedächtniskirche. A Igreja Memorial Imperador Guilherme tem seu nome como uma homenagem ao rei Guilherme I da Alemanha. A igreja original no local foi construída nos anos 1890 e destruída na Batalha Aérea de Berlim, durante a Segunda Guerra Mundial. O edifício atual, que consiste em uma igreja com um vestíbulo anexado e um campanário separado com uma capela unida, foi construído entre 1959 e 1963.
 |
| Exposição de modelos aéreos no museu de tecnologia |
Estava caindo a tarde e tinha alguns descontos de entrada em alguns museus. Então resolvi visitar o primeiro deles o Museu Alemão de Tecnologia. Para isso peguei a linha U1 do metrô, na estação Kurfürstendamm e desci na estação Gleisdreieck.
Esse museu apresenta uma coleção de artefatos históricos, mas o que mais me chamou atenção foram as áreas de transporte, com réplicas de aviões históricos, trens e barcos, e a área de armas. Super recomendo, principalmente pra quem gosta de história. É um acervo muito rico.
 |
| Portão de Brandemburgo a noite |
Saí do museu e já era noite. Resolvi jantar algo e descansar.
Voltei para o Mall of Berlin e comi Pizza Hut pela primeira vez na minha vida. Como estava perto das atrações que visitei pela manhã, resolvi vê-las a noite e foi muito bom, principalmente o Portão de Brandemburgo, que estava lindo com a iluminação.
Voltei caminhando para meu hostel e descansei para no outro dia estar novo.
No segundo dia tinha planejado visitar alguns museus, principalmente porque estava chovendo e isso atrapalharia qualquer turismo na rua.
Comecei meu tour nem tomando um café perto do Checkpoint Charlie, em torno de 5 euros um café com croissant ou algum folhado recheado. Mas não saí tão cedo, pois os museus costumam abrir entre 9:30 e 10:00.
 |
| Fosseis no museu de história natural |
Após alimentado, peguei um metrô linha U6 na estação Kochstraße e desci na estação U Naturkundemuseum, praticamente ao lado do primeiro museu do dia, o Museu de História Natural de Berlim. O local é famoso por duas exposições mundialmente reconhecidas: o maior dinossauro montado no mundo, o Giraffatitan, e por uma espécie extraordinariamente preservada da primeira ave conhecida, a Archaeopteryx lithographica. Fiquei deslumbrado pois, além de gostar de dinossauros, esse foi meu primeiro museu de história natural. Seu acervo é maravilhoso, e se você está viajando com crianças, recomendo demais uma visita a esse museu.
Seu horário de funcionamento é Fechado na segunda-feira; de terça-feira a sexta-feira das 9:30 às 18:00; Sábado, domingo e feriados 10:00 - 18:00 horas. E o valor da entrada para adultos é 8 euros (mas com o Berlin Pass ou Berlin Welcome Card você tem desconto - o mesmo vale para outros museus).
Como o Museu de História Natural não é tão grande, depois de algumas horas fui até o Museu Histórico Alemão, pegando o tram linha 12. Esse é um museu dedicado à preservação da história da Alemanha, com um acervo maravilhoso, principalmente para quem gosta de história. O Museu Histórico Alemão é aberto diariamente das 10:00 às 18:00, ficando fechado nos dias 24 e 25 dezembro. A entrada é grátis para crianças e adolescente até 18 anos, e 8 euros para adultos.
Mais informações você pode obter nos links abaixo:
 |
| AquaDom |
Como fiquei mais algumas horas no Museu de História e meu trem sairia dentro de algumas horas, ainda me sobrava um tempo para visitar algo que não fosse tão demorado, então optei por visitar o AquaDom & SEA LIFE Berlin.
Sea Life Berlin é um aquário muito bonito, mas não muito diferente de outros que tem pelo mundo, ou até mesmo no Brasil. Mas o ponto alto mesmo foi o AquaDom.
Depois de encarar uma fila bem grande (que passava por dentro de um restaurante), eu entrei em um elevador de 2 andares, todo de vidro que passava por dentro de um aquário. Esse é o AquaDom. Um grande aquário onde você passa por dentro. Foi uma experiência ímpar.
AquaDom & Sea Life é aberto todos os dias das 10:00 às 19:00hs, ficando fechado no dia 24 de dezembro. Há opções de ingresso para visitar somente o AquaDom & Sea Life e ingressos combinados com Legoland e/ou Madame Tussauds. Há descontos para crianças de 3 a 14 anos e crianças até 3 anos não pagam. Há, também, um desconto quando o ingresso é comprado online, ficando 10,50 euros para adultos.
Você terá mais informações nos links abaixo:
Com o tempo já se esgotando, me dirigi até a estação ferroviária, onde comi alguma coisa e esperei meu trem para voltar a Budapeste. Voltei também em um trem noturno com cama. Dessa maneira pude aproveitar 2 dias inteiros em Berlim com apenas 1 pernoite no hostel.
Impressões da cidade e da viagem
Berlim é uma cidade que respira história e você ainda sente os reflexos da Guerra Fria. O Muro de Berlim é algo marcante na cidade, além dos memoriais de guerra.
O pessoal foi bastante educado comigo e praticamente todos falavam inglês. Bem diferente do que sempre ouvi falar sobre os alemães.
Foram 2 dias corridos, mas pude aproveitar bastante, mesmo sabendo que terei que voltar um dia, pois deixei de ver atrações importantes como a East Side Gallery.
Como o segundo dia estava chovendo e eu queria visitar alguns museus, deixei esse dia exclusivo para locais internos. Foi muito bom visitar museus em Berlim.
Berlim é a capital da Alemanha, sua moeda é o Euro, e, claro, seu idioma oficial é o alemão. Mas você se dará bem falando somente inglês.
A Alemanha ainda se sente culpada pelo que aconteceu no século XX, principalmente na Segunda Guerra Mundial, então tome cuidado ao falar de temas históricos e polêmicos. Não fale em público as palavras Nazismos e Adolf Hitler.
Use o transporte público de Berlim, e, se possível, use o Google Maps, pois com ele saber qual transporte pegar se tornará bem mais simples.
Se você curte souvenirs de história, você achará muitas coisas legais, como chapéus do exército alemão e soviético, e supostos pedaços do Muro de Berlim.
Eu fui de trem, saindo de Budapeste, porém você pode utilizar tanto ônibus quanto avião.
O Aeroporto de Berlim-Schönefeld é um aeroporto localizado na cidade de Schönefeld, em Brandemburgo, no qual Berlim é um enclave. Foi o antigo aeroporto principal da Alemanha Oriental. Segundo o Wikipedia, deverá ser inaugurado até 2017 um novo aeroporto denominado Aeroporto de Berlim Brandemburgo, que utilizará a pista atual do Schönefeld.
Há voos diretos saindo do Brasil, tendo como destino Berlim.
Há várias linhas rodoviárias e ferroviárias que passam por, ou tem como destino, Berlim. De maneira genérica, recomendo rome2rio.com ou goeuro.com.
Não comi nada típico em Berlim, mas linguiça é um dos pratos mais típicos de Berlim, principalmente a Currywurst que você pode encontrar em vários lugares da cidade.
Fiquei no Check In Hostel